terça-feira, 4 de outubro de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
A ontologia da felicidade
Se me perguntarem o que é felicidade direi : não sei, apenas sinto.
Identifico suas datas, seu nome, sua cor, seu endereço, sua pátria
e seu signo. Não sou poeta, nem faço arte e como criatura apalpo os rasgos
de sua infinitude, tão doce, tão bela, tão séria.
Um tal querer que me beija os olhos, afaga o peito e é só ternura. Não tem idade,
apenas cresce; não tem maldade, e me é tão íntima. É tão forte, tão amoroso, tão quente,
tão frio, tão bela.
Tenho vontade de ninar, sentir seus cabelos, contê-la em zelo, e marcar com cor cada dia
em sua vida. Como semente brota em seu tempo, avessa ao fracasso, humilde em seus passos,
a quem tenho numa fé que me anima em destino, tão sóbria, tão nobre, tão fácil em sua fala.
E vendo a crescer, já tão dono de si, rubra minha face, na rigidez dos seus versos, na singularidade
dos retos, na imensidão de quem voa. Eu, já invisível no espaço, ainda o quero em meus braços,
e me recompenso em seu tempo, pois a cada passo que o cerca sua vida tanto embeleza, que me regozijo em seus sonhos. Ora piloto, jogador, causídico, mas, sempre tão justo, tão nítido, tão farto, tão cheio de amor.
Completa 12 anos a felicidade, não mora sozinha, tem sono bem leve, se veste aos seus modos,
já gosta de música, desenha seu mundo, só come o que quer, já faz muitos amigos, repleta de anseios,
transita em toda parte, não tem preconceito, me passa uma quentura, um querer tão bem,
é tão toda prosa, tão rica em valores, tão ser masculino, que revela um nome:
Vinícius Carvalho Lino.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Irene morreu, mas passa bem
Pela riqueza do fato, antecipo a quem lê que a eminente foto não representa, com zelo, o singelo ataúde que tanto entristece o religioso e humilde povo do município de Simões (PI), quando em suas andanças pelo exercício da ruralidade se informam de triste acontecimento.
Garanto a quem se interessar que não passará de Janeiro de 2011 a devida postagem, dando marcas ao feito etnográfico naquelas bandas. No entanto, em que pese a inobservância da partida, os dias de feira, a muito já não são mais o mesmo. A casa de seu Zequinha então, virou uma romaria, carpideiras, beatas, o compadrio, geralmente aos sábados, derramam rios de lágrimas pela passagem da saudosa Irene, não tão bem comunicada, como seria de direito, perante a riqueza de valores éticos, morais e religiosos que deram lastro a sua vida entre nós.- "Dona Maria,( e tome choro), cumade Irene morreu de quê? Pura amô de Deus.
- "Muié, num divulga isso por aí não muiérzinha, Irene tá viva, acaba com isso."
- " Mas.. como Maria ? Fui visitar o túmulo de pai e de Dr Abércio, e vi a cova dela muié, num esconde não ".
Por enquanto, as últimas informações daquelas bandas nos garantem que Irene continua frequentando a igreja, pagando o dízimo, inclusive acompanhou todas as novenas de São Simão.
Como se não bastasse, não ressoam nenhuma notícia sua circulando pelo posto, pela farmácia de Seu Neco ou de Seu Gonçalo,muito pelo contrário, continua, como sempre, aparentando gozar de saúde invejável.
Para muitos, entretanto, Irene morreu, não obstante, passar bem, inclusive, com tempo para gastar nos cuidados com sua zelosa lápide.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Mais uma vez
Encerra-se o primeiro turno de mais uma presidencial e por onde passei, dos Pés-de-Serra lá pras bandas do Piauí, aos parrerrais da bucólica Petrolina, volto com a certeza de que é claro que o sol, vai voltar amanhã, mais uma vez, eu sei...
Vitimados pela ausência de maturidade democrática, sobrepujada pelas sandices incontroláveis dos arremedos cibernéticos, eis que pudemos observar a manipulação das massas através dos torpedos virtuais, passando pelas cooptações da fé, desconstruindo imagens, sem que o debate sobre políticas públicas viesse à tona.
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã. Espera que o sol já vem...
Quem antes, ontem, mensalou, hoje, traveste-se de sustentável e terceiriza a agenda, numa parceria com o diabo, protegidos pelo evangelho mercantil; o maduro vira verde e vegetaliza o processo, sem o compasso estratégico do que vem a ser o amanhã, ávidos pelo poder escapado de ontem. Fazer o que ? Tem gente que está, do mesmo lado que você, mas deveria estar do lado de lá, tem gente que machuca os outros,tem gente que não sabe amar...
Há de se perguntar, responderemos com a mesma moeda ? Ou resguardamos a tutela para o povo, esse sim, sujeito da história a quem cabe tão somente exercer a condição de voz ativa ? O fato é que questões de credo, sexo, futebol, releases falaciosos devem ser atributos de quem saúda os milicos, a imprensa marron, e se sente dono da coisa pública : tem gente enganando a gente, veja nossa vida como está, mas eu sei que um dia a gente aprende.Se você quiser alguém, em quem confiar. Confie em si mesmo, quem acredita, sempre alcança...
Cabe-nos, apenas, sair as ruas, conversar com os amigos, celebrar o debate, nos bares, nas pontes, nas ruas, se amando, como diria o poeta , numa noite de Carnaval.
Uma vez iniciado o segundo turno, propaganda nas rádios, Bom Dia Brasil, Jornal da Globo, mensagens eletrônicas, exerceremos nossas potencialidades, fomentaremos a crítica, questionaremos as balas de prata, a notícia arranjada, socrateando a discussão de maneira que falará mais alto a verdade. Pois esta tem cor e sangra; tem roupa e sua; tem pele e é tua.
Nunca deixe que lhe digam, que não vale a pena, acreditar no sonho que se tem, ou que seus planos nunca vão dar certo, ou que você nunca, vai ser alguém...
Hoje, quando acordei, senti a força do meu sonho, da música que nunca mais ouvira, do verso de quem luta e alcança : era Renato Russo na veia. E por mais que os nossos inimigos se disfarcem cada vez mais, prevalecerão o sentido das chagas de quem tanto nos machucou. Pois, tem gente que machuca os outros, tem gente que não sabe amar.
Mas eu sei que um dia a gente aprende, e o coração é vermelho e bate do lado esquerdo.
domingo, 26 de setembro de 2010
Lei de Murphy, São Tomé e gatos pretos
Antes meus olhos estivessem envoltos dos 10 graus de miopia que tanto me marcaram época. No entanto, as ferramentas metodológicas e teóricas eram em sobras suficiências para o soterro trágico de um sábado de primavera. Senão vejamos:
Na despedida da madrugada, quando o sol iniciava o seu reinado na estação das flores, eis que a chuva não se fez de rogada e atravessou o enredo para uma bela manhã de sábado, primeiro prenúncio; subsumido pelo mundo etílico, fujo ao regrio e inicio meu périplo em busca de uma farmácia quando me vejo de encontro a dois gatos pretos, atravessando a Conde de Irajá com a José Bonifácio, exatamente no local onde organizávamos uma tarde majestosa, eivada de circuitos poéticos entre amigos.
Volto pra casa, já cabisbaixo e começa a tomar conta os monstrinhos esquizofrênicos, infernos alfarrábios de uma vida em constante estado de ebulição.
De bate pronto recorro a Murphy: "se algo pode dar errado, com certeza acontecerá". Por mais que a turma da terra das oferendas venha sem 8 titulares, jogamos em casa, a massa consumiu a proposta,porém, algo me dizia que tem boi na linha.
Driblei minhas convenções e fui para o boteco, de peito aberto, reunindo a confraria, até que, em lá chegando, entra uma porra de um post mortem, travestido em três cores, que tenho medo até de revelar a alcunha, pra não invocar os maus presságios. Mas o peste inventou de ficar de braços cruzados na porta do bar.
Chegam Lívia e Demétrio, fechando o grupo com Adriano e pra contrabalançar o veneno, arrefecem o caldeirão resflaviando o contexto. Tricolor sim, mas com cara de anjo, menos mal.
De proveitoso, a poesia do samba de Paulinho; de negativo, um dois a um recheado de azia na medida em que esquentavam o regado de cervas.
Era preciso ver para crer, e eu, vi e previ, um dia de sábado, em tempos de primavera ,numa tarde inglória do imortal Leão da Praça da Bandeira, domado pelo espírito gravitacional de uma intrépida Lei de Murphy.
domingo, 15 de agosto de 2010
15330 dias a serviço da reificação
42 anos, 15330 dias, semanas pra caralho, que ás vezes tenho medo de olhar na janela do tempo, indo de encontro a tudo que já passei. A cada 13 de agosto, tamanha pressão do zodíaco, das superstições, da sáude e dos conflitos que dispõem a vida, terminei por desenvolver uma política de auto-monitoramento sobre a data, desviando-a das formalidades, mudando eventos, desfazendo agenda, e em alguns anos, recluso. Para Pascal (2008, p. 51), a única causa da infelicidade humana "é que ele não sabe como ficar quieto em seu quarto", ou seja, quando anda de um lado para o outro, não pensa.
Porém, por mais paradoxal que isso possa parecer, o fato é que, individualmente, nós resistimos; individualmente, eu caio. Esse ano estava precisando moldar minhas ações e celebrar essa data. Fazendo as devidas deferências ao meu candidato JP, iniciei os trabalhos às 13:33. Um golinho de leve, nas raízes, Afogados City, cada vez mais representativo ao universo pós-moderno, onde os indivíduos formam a sociedade ao rigor de suas próprias ações, marquei presença, passei incólume e consegui chegar na entrada da noite ao Bugaloo.
Já me dava por satisfeito, tudo transcorria num ritmo de ordem, equilíbrio que sentia falta. Reuni a melhor safra de amigos, num sincopado sistema de rodízio em que Rita, Mércia, Ana e João demarcaram espaço, num ritmo etílico ao melhor estilo Noel Rosa e Vinícius de Moraes.
Logo em seguida chegam Demétrio e Lívia, Viviane e Valmir, Karen, todos muito bem ensaiados, varrendo copos e pratos, impingindo marcas a uma data que me trazia a intimidade necessária.
Lá pras tantas, eis que chegam células dessa juventude diferenciada Léo, Paula e um casal de amigos, dando o toque de poesia e garra, abafados na geração 60 que representamos, para, juntamente com Sérgio Miguel, Júlia, Fernando e Amauri, edificarem a união que as diferenças portabilizam.
Em cada par, uma história, e a cada gesto, criava vidas e comandos numa atitude reificadora intrínseca ao meu exercício de vida. De todos aproveitei um pouco. Cornelius Castoriadis certa vez apontara que o erro das sociedades contemporâneas estava na falta de questionamentos, por ali tivemos em sobras, e que outros tantos venham, para que possamos criar um esteio na eternidade, dada a brevidade da vida.
Já se foram 42 anos e vive o meu conjunto de hábitos e disposições, dessa forma, não poderia deixar que nossas marcas não tivessem testamentos, agradeço a todos, afinal, contamos os dias e os dias contam.
Porém, por mais paradoxal que isso possa parecer, o fato é que, individualmente, nós resistimos; individualmente, eu caio. Esse ano estava precisando moldar minhas ações e celebrar essa data. Fazendo as devidas deferências ao meu candidato JP, iniciei os trabalhos às 13:33. Um golinho de leve, nas raízes, Afogados City, cada vez mais representativo ao universo pós-moderno, onde os indivíduos formam a sociedade ao rigor de suas próprias ações, marquei presença, passei incólume e consegui chegar na entrada da noite ao Bugaloo.
Já me dava por satisfeito, tudo transcorria num ritmo de ordem, equilíbrio que sentia falta. Reuni a melhor safra de amigos, num sincopado sistema de rodízio em que Rita, Mércia, Ana e João demarcaram espaço, num ritmo etílico ao melhor estilo Noel Rosa e Vinícius de Moraes.
Logo em seguida chegam Demétrio e Lívia, Viviane e Valmir, Karen, todos muito bem ensaiados, varrendo copos e pratos, impingindo marcas a uma data que me trazia a intimidade necessária.
Lá pras tantas, eis que chegam células dessa juventude diferenciada Léo, Paula e um casal de amigos, dando o toque de poesia e garra, abafados na geração 60 que representamos, para, juntamente com Sérgio Miguel, Júlia, Fernando e Amauri, edificarem a união que as diferenças portabilizam.
Em cada par, uma história, e a cada gesto, criava vidas e comandos numa atitude reificadora intrínseca ao meu exercício de vida. De todos aproveitei um pouco. Cornelius Castoriadis certa vez apontara que o erro das sociedades contemporâneas estava na falta de questionamentos, por ali tivemos em sobras, e que outros tantos venham, para que possamos criar um esteio na eternidade, dada a brevidade da vida.
Já se foram 42 anos e vive o meu conjunto de hábitos e disposições, dessa forma, não poderia deixar que nossas marcas não tivessem testamentos, agradeço a todos, afinal, contamos os dias e os dias contam.
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